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Publicado por: Unesco e Grupo Sangari
Organizadores: Jorge Werthein e Célio da Cunha
2009
Jornais, revistas, radiojornais, telejornais, canais especializados da TV paga, sites e blogs de notícias, todos têm espaço reservado especialmente para notícias relacionadas à ciência e à tecnologia. Não poderia ser diferente. Afinal, essas duas áreas têm sido responsáveis por uma revolução em curso, a qual, a passos largos, vem modificando a face do mundo. As mudanças em andamento afetam, inclusive, os próprios meios de comunicação de massa, que colhem os benefícios das novas invenções, sobretudo na área de telefonia, informática e, mais especificamente, de transmissão de dados via satélite. Acaba por estabelecer-se, assim, uma espécie de processo de autoalimentação e de autorreferência. Os avanços científicos e tecnológicos são notícia, mas também são responsáveis, direta ou indiretamente, pelos cada vez melhores canais de difusão de notícia. O fenômeno vai além do que previu o filósofo Marshall McLuhan (1911-1980), para quem "o meio é a mensagem". Hoje, quando o objeto da mensagem diz respeito à ciência e à tecnologia, pode-se mesmo dizer, em alguns casos, que a mensagem é o meio, tão profundamente envolvida ela está em seu próprio processo difusor.
Indague-se a um veterano jornalista como ele fazia para obter informações, apurá-las, realizar entrevistas, redigir textos, editá-los, diagramá-los e publicá-los antes do advento do telefone celular, do computador, da internet, entre outros aparatos hoje indispensáveis para o exercício do jornalismo. A resposta deixará claro por que diversos avanços científico-tecnológicos são e têm sido sempre notícia e meio, a um só tempo. Como se não bastasse, tais avanços também implicam profunda mudança na visão de mundo do profissional de imprensa. Sabe-se, desde a invenção da luneta, que algumas máquinas "aprimoram os olhos", enquanto outras os distraem. Nenhuma, porém, deixa de afetá-los de alguma maneira.
É evidente que a sociedade em geral e o meio jornalístico em particular não estão interessados somente nas descobertas, invenções e reflexões relacionadas ao segmento da comunicação. No entanto, o raciocínio inverso "funciona" (para usar um termo comum em tecnologia): a comunicação é componente indispensável para o êxito das inovações científico-tecnológicas. Afinal, para que serviriam elas se a maioria das pessoas não as compreendesse minimamente que fosse, tanto para poder usufruí-las quanto para poder valorizá-las e estimulá-las, estabelecendo, assim, um círculo virtuoso? As inovações necessitam de incorporação na vida cotidiana para que tenham sentido e, uma vez imersas no mundo do uso e da experiência, recebam críticas e insumos para seu próprio aperfeiçoamento. Não por acaso, o comércio de produtos e serviços de alta tecnologia utiliza tão amiúde expressões como "última geração", "top de linha", "nova versão", etc. O aprimoramento é e deve ser ininterrupto.
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